O reconhecimento do Design de interiores

Olá amiguinhos! Tudo bem?

Alguns de vocês já devem saber que há algum tempo rola uma questão muito importante para quem é da área de design de interiores não é? Trata-se da regulamentação da profissão.

Já houve muitos impasses e disse-me-disse sobre isso. A CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) acompanha de perto o desenrolar dessa história.

Daí você me pergunta: “Ué, mas isso é tarefa dela?”

Pode parecer estranho, mas segundo a própria CAU, há uma lei que a autoriza a fiscalizar o exercício ilegal da profissão. Ainda não entendeu? Vou explicar…

Entenda os motivos da CAU

Infelizmente, existem designers desenvolvendo projetos de arquitetura e isso se chama exercício ilegal da profissão. É isso que a CAU fiscaliza. Somente arquitetos podem “mexer” em estruturas prediais, gases e etc. Não estamos habilitados a fazer qualquer tipo de alteração em estruturas.

Em outras palavras – pelo menos em tese – o que eles querem é defender a sociedade das más práticas e prevenir contra os acidentes que acontecem em obras por conta de profissionais não habilitados para a função. Eles querem que fique muito claro quem está autorizado a fazer o quê.

Mas como eu estava dizendo, a CAU acompanha de perto o desfecho da história e eu acho isso correto. Por conta de maus profissionais os bons sempre se dão mal. O problema é que aparentemente, ao tentar defender seus direitos, o Conselho de Arquitetura meio que nos deixa de mãos atadas.

Por outro lado, concordo quando o Conselho diz que é importante ‘separar as atividades privativas da Arquitetura e do Urbanismo daquelas realizadas pelos designers de interiores, dentro de uma discussão estritamente técnica.’

Ás vezes, a atividade de uma profissão se confunde com a atividade da outra confundindo pessoas leigas e isso gera muita dor de cabeça, acreditem.

Entretanto, muitos colegas de profissão acham que o Conselho pretende fazer reserva de mercado usando isso como desculpa. E muitos arquitetos pensam o mesmo de nós! Entendem como isso é delicado? As duas profissões possuem muitas coisas em comum mas Design de interiores é uma coisa e Arquitetura é outra.

A própria ABD se manifestou (segundo artigo publicado no site da CAU/BR em 09/11/2015) propondo que o projeto de lei oferecesse não a regulamentação da atividade, mas apenas a garantia de seu exercício.

Regulamentação da profissão

Na semana passada foi divulgado que o Senado aprovou a redação final da chamada PLC 97/2015 que trata da regulamentação do exercício da profissão de designer de interiores e ambientes. O próximo passo agora, é a sanção presidencial.

Segundo o site Agência Senado, a senadora Simone Tebet (PMDB) disse que o texto não fala em regulamentação para não criar reserva de mercado.

O texto aprovado deixa bem claro que a atividade é assegurada aos profissionais que possuem diploma de nível superior em Design de Interiores, Composição de Interior, Design de Ambientes na especificidade de interiores e Arquitetura e Urbanismo.

Para trabalhar como técnico em Design de Interiores será necessário uma certificação de curso técnico. E tem mais! As atividades deles serão definidas pelo Ministério do Trabalho e isso vai acontecer 120 dias após a data de publicação da lei.

E sabem qual é a cerejinha do bolo? Projetos de interiores desenvolvidos por profissionais diplomados passa a ser considerado obra intelectual, ou seja, os direitos autorais estão garantidos para quem os criou!

Imagem: instagram.com/abd_oficial
Imagem: instagram.com/abd_oficial

Mas, como já era de se esperar, sempre tem um mas não é? Pois então, o “mas” dessa vez se chama Aloysio Nunes Ferreira (Senador do PSDB). Segundo o site Agência Senado, o Senador Aloysio Nunes se manifestou contra esse reconhecimento, só que a reportagem não esclarece por qual motivo.

Não sei vocês, mas eu estou prá lá de curiosa. Quais seriam os motivos que levaram o Senador a se pronunciar contra? #SilencioQueEuEstouPensando

O importante é que seja bem definido qual é o papel do designer de interiores e qual é o papel do arquiteto. Só assim poderemos trabalhar tranquilos, nos defender ou exigir nossos direitos quando for necessário.

Um outro ponto que acho importante destacar é que em Design de interiores sempre deve haver o bom senso tanto no exercício das funções quanto no desenvolvimento do projeto. A falta de ética prejudica e mancha a imagem dos demais designers.

Há uma “coisinha” chamada RT (ou reserva técnica) que é cobrada nos bastidores, digamos assim.

O que é reserva técnica?

Vou dar um exemplo para ficar mais fácil.

Se o designer tiver um acordo (por trás dos bastidores) com uma loja para receber uma “comissão” por vendas, ele dirá ao cliente muito sutilmente, que o material para o projeto deve ser adquirido especificamente nessa loja. Assim ele recebe uma “comissão” pelo que for adquirido pelo cliente.

Acontece que o designer já recebe seu pagamento pelo serviço prestado. Incluir essa reserva técnica no seu lucro é deselegante, é down! É mais ou menos como se ele pagasse duas vezes, entendeu? E o pior é que muitos não fazem ideia de que estão sendo lesados.

Muitos clientes já possuem uma loja preferida para comprar e nós não podemos interferir nisso. O que nós temos que fazer é orientar na escolha do material e não induzir o cliente a fim de tirar vantagem dele.

Daí, em alguns casos, pode haver uma alteração de preços e o cliente é prejudicado.

É por isso que existe essa generalização, essa coisa de dizer que todo designer age assim. E isso não é verdade! Alguns arquitetos também usam o recurso da reserva técnica. Não quer dizer que todos são picaretas, claro que não!

O fato é que por causa dessa prática condenada pela própria ABD e por causa de maus serviços prestados, a categoria fica denegrida. É por isso também que encontramos tantas dificuldades para regulamentar nossa profissão.

Fato é, também que em Design de interiores, ética e bom senso fazem parte não só da elaboração do projeto, mas também do cotidiano profissional. A relação profissional/cliente deve ser preservada e cultivada com responsabilidade.

Agora me digam aqui nos comentários: o que vocês acham disso tudo?

bjs

 

 

 

Anúncios

2 comentários em “O reconhecimento do Design de interiores

  1. Nossa Lana, quanta confusão. Eu consigo ter uma ideia do que é o designer e o que é o trabalho de um arquiteto. Realmente muitas coisas se cruzam, porém vejo que o trabalho de um designer é bem mais específico no seu branche e do arquiteto um outro rumo. Espero que todos tenham o seu lugar ao sol e possam trabalhar em paz. Boa sorte.

    Curtido por 1 pessoa

Obrigada por comentar. Seu comentário aguardará aprovação. Comentários grosseiros e mal educados não serão respondidos, nem publicados.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s