A beleza está nos olhos de quem vê

Olá! Tudo bem com vocês?

Todos nós temos uma opinião formada sobre o que é ou não bonito, afinal, gosto não se discute e todo mundo tem suas preferências (e referências) de beleza.

O que é bonito para uns pode ser feio para outros. Partindo desse princípio, podemos dizer que a beleza ou a feiura não existem pois se algo fosse realmente bonito, todos os habitantes do planeta diriam que assim é. Ou, se algo fosse realmente feio, não haveria uma só pessoa que afirmasse o contrário.

Durante muito tempo filósofos, grandes pensadores e estudiosos tentaram encontrar uma definição para o conceito do belo. Ainda hoje há quem procure, inclusive, relacionar a estética ao bonito e coisas desse tipo…

A História da Arte afirma que para Platão, o belo era o bem, a verdade, a perfeição. Entretanto, Aristóteles acreditava que o belo era inerente ao homem.

E eu acredito que a beleza está muito além de aparências pois envolve diversas coisas e áreas. Digamos assim…

Esse não é um post sobre História da Arte, mas é um post para refletir sobre o que realmente importa para nós.

Em se tratando de estética, podemos dizer que gosto não se discute, que quem ama o feio bonito lhe parece, que beleza não põe mesa, que a beleza está nos olhos de quem vê e por aí vai… É como eu disse no início do post, é uma questão de gosto, opinião, referência e etc…

Abacaxi na mão
Imagem autoral produzida com Canva.

Por que estou dizendo tudo isso?

Semana passada eu peguei um abacaxi! Publiquei numa rede social, uma reportagem que falava sobre aproveitamento de porcelanas quebradas na produção de peças com design exclusivo.

A reportagem continha umas fotos dos objetos desenvolvidos com pratos quebrados e coisas assim… As fotos eram bonitas? Olha, para o meu gosto não. Porém, achei o máximo a ideia de reaproveitar e reutilizar materiais, claro né? Sou designer!

Acontece que um sujeito deixou um comentário super grosseiro sobre a reportagem no meu perfil. Gente, eu não fiz a reportagem e também não desenvolvi o projeto, apenas publiquei algo que achei interessante.  A postura dele foi desnecessária.

Lógico que, como ele é leigo em assuntos de design, eu não poderia exigir que ele (ou qualquer outra pessoa) opine como expert no assunto. Isso seria falta de ética.

Fato é que certas pessoas querem impor suas preferências como se elas fossem verdades universais, aptas para serem inseridas no caráter dos outros. E não é assim que a banda toca.

Confesso que achei a foto feia, mas eu li a reportagem antes de publicá-la e adorei a ideia de reaproveitamento.  Isso não significa que todas as pessoas do mundo devem usar suas porcelanas quebradas para copiar o trabalho do artista que produziu o objeto e muito menos concordar comigo. Nada disso!

Em outras palavras, o artista produziu aqueles objetos para servir de referência para outros designers ou artistas que queiram desenvolver algo parecido.

O mesmo acontece com desfiles de moda. Você não vai usar tudo o vê nas passarelas, aquilo serve de inspiração, de sugestão para outros estilistas.

Mas continuando, eu achei super grosseiro o comentário do sujeito. Não seria melhor que ele me propusesse um debate sobre o tema? Nós trocaríamos informações e outros leitores poderiam participar do debate.

As pessoas se orgulham de ofender as outras e acham que isso é a coisa mais digna do mundo. Tenho pena, sério! E sabe por quê? Porque todo mundo que entrar no meu perfil vai ler o comentário. A única coisa que ele conseguiu demonstrar é que ele não tem educação nem cultura. E também não sabe respeitar os outros.

Como designer estou sujeita a esse tipo de comportamento, afinal, designers trabalham com o belo e exatamente por isso tivemos aulas de História da Arte, para que pudéssemos distinguir qual é o tipo de belo que o cliente deseja ou precisa. Só que não vou tecer comentários sobre isso pois daria um livro.

Mas enfim, vocês me conhecem né? Eu não respondi o comentário. Não sou de comentar esse tipo de coisa e só estou postando aqui porque sei que se ele queria IBOPE por lá, não conseguiu. E eu não vou dizer em qual rede social aconteceu esse episódio. Deixa prá lá.

Se eu fiquei chateada? Não. O que me chateia é que vivemos uma era onde primeiro as pessoas atiram e depois perguntam seu nome… Sabe aquela coisa do “muito barulho por nada”? É isso aí.

Vocês já passaram por algo parecido? Me conta sua história!

Bjs e até a próxima!

E se você ainda não respondeu a pesquisa não perca mais tempo! O prazo está se esgotando!

 

O reconhecimento do Design de interiores

Olá amiguinhos! Tudo bem?

Alguns de vocês já devem saber que há algum tempo rola uma questão muito importante para quem é da área de design de interiores não é? Trata-se da regulamentação da profissão.

Já houve muitos impasses e disse-me-disse sobre isso. A CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) acompanha de perto o desenrolar dessa história.

Daí você me pergunta: “Ué, mas isso é tarefa dela?”

Pode parecer estranho, mas segundo a própria CAU, há uma lei que a autoriza a fiscalizar o exercício ilegal da profissão. Ainda não entendeu? Vou explicar…

Entenda os motivos da CAU

Infelizmente, existem designers desenvolvendo projetos de arquitetura e isso se chama exercício ilegal da profissão. É isso que a CAU fiscaliza. Somente arquitetos podem “mexer” em estruturas prediais, gases e etc. Não estamos habilitados a fazer qualquer tipo de alteração em estruturas.

Em outras palavras – pelo menos em tese – o que eles querem é defender a sociedade das más práticas e prevenir contra os acidentes que acontecem em obras por conta de profissionais não habilitados para a função. Eles querem que fique muito claro quem está autorizado a fazer o quê.

Mas como eu estava dizendo, a CAU acompanha de perto o desfecho da história e eu acho isso correto. Por conta de maus profissionais os bons sempre se dão mal. O problema é que aparentemente, ao tentar defender seus direitos, o Conselho de Arquitetura meio que nos deixa de mãos atadas.

Por outro lado, concordo quando o Conselho diz que é importante ‘separar as atividades privativas da Arquitetura e do Urbanismo daquelas realizadas pelos designers de interiores, dentro de uma discussão estritamente técnica.’

Ás vezes, a atividade de uma profissão se confunde com a atividade da outra confundindo pessoas leigas e isso gera muita dor de cabeça, acreditem.

Entretanto, muitos colegas de profissão acham que o Conselho pretende fazer reserva de mercado usando isso como desculpa. E muitos arquitetos pensam o mesmo de nós! Entendem como isso é delicado? As duas profissões possuem muitas coisas em comum mas Design de interiores é uma coisa e Arquitetura é outra.

A própria ABD se manifestou (segundo artigo publicado no site da CAU/BR em 09/11/2015) propondo que o projeto de lei oferecesse não a regulamentação da atividade, mas apenas a garantia de seu exercício.

Regulamentação da profissão

Na semana passada foi divulgado que o Senado aprovou a redação final da chamada PLC 97/2015 que trata da regulamentação do exercício da profissão de designer de interiores e ambientes. O próximo passo agora, é a sanção presidencial.

Segundo o site Agência Senado, a senadora Simone Tebet (PMDB) disse que o texto não fala em regulamentação para não criar reserva de mercado.

O texto aprovado deixa bem claro que a atividade é assegurada aos profissionais que possuem diploma de nível superior em Design de Interiores, Composição de Interior, Design de Ambientes na especificidade de interiores e Arquitetura e Urbanismo.

Para trabalhar como técnico em Design de Interiores será necessário uma certificação de curso técnico. E tem mais! As atividades deles serão definidas pelo Ministério do Trabalho e isso vai acontecer 120 dias após a data de publicação da lei.

E sabem qual é a cerejinha do bolo? Projetos de interiores desenvolvidos por profissionais diplomados passa a ser considerado obra intelectual, ou seja, os direitos autorais estão garantidos para quem os criou!

Imagem: instagram.com/abd_oficial
Imagem: instagram.com/abd_oficial

Mas, como já era de se esperar, sempre tem um mas não é? Pois então, o “mas” dessa vez se chama Aloysio Nunes Ferreira (Senador do PSDB). Segundo o site Agência Senado, o Senador Aloysio Nunes se manifestou contra esse reconhecimento, só que a reportagem não esclarece por qual motivo.

Não sei vocês, mas eu estou prá lá de curiosa. Quais seriam os motivos que levaram o Senador a se pronunciar contra? #SilencioQueEuEstouPensando

O importante é que seja bem definido qual é o papel do designer de interiores e qual é o papel do arquiteto. Só assim poderemos trabalhar tranquilos, nos defender ou exigir nossos direitos quando for necessário.

Um outro ponto que acho importante destacar é que em Design de interiores sempre deve haver o bom senso tanto no exercício das funções quanto no desenvolvimento do projeto. A falta de ética prejudica e mancha a imagem dos demais designers.

Há uma “coisinha” chamada RT (ou reserva técnica) que é cobrada nos bastidores, digamos assim.

O que é reserva técnica?

Vou dar um exemplo para ficar mais fácil.

Se o designer tiver um acordo (por trás dos bastidores) com uma loja para receber uma “comissão” por vendas, ele dirá ao cliente muito sutilmente, que o material para o projeto deve ser adquirido especificamente nessa loja. Assim ele recebe uma “comissão” pelo que for adquirido pelo cliente.

Acontece que o designer já recebe seu pagamento pelo serviço prestado. Incluir essa reserva técnica no seu lucro é deselegante, é down! É mais ou menos como se ele pagasse duas vezes, entendeu? E o pior é que muitos não fazem ideia de que estão sendo lesados.

Muitos clientes já possuem uma loja preferida para comprar e nós não podemos interferir nisso. O que nós temos que fazer é orientar na escolha do material e não induzir o cliente a fim de tirar vantagem dele.

Daí, em alguns casos, pode haver uma alteração de preços e o cliente é prejudicado.

É por isso que existe essa generalização, essa coisa de dizer que todo designer age assim. E isso não é verdade! Alguns arquitetos também usam o recurso da reserva técnica. Não quer dizer que todos são picaretas, claro que não!

O fato é que por causa dessa prática condenada pela própria ABD e por causa de maus serviços prestados, a categoria fica denegrida. É por isso também que encontramos tantas dificuldades para regulamentar nossa profissão.

Fato é, também que em Design de interiores, ética e bom senso fazem parte não só da elaboração do projeto, mas também do cotidiano profissional. A relação profissional/cliente deve ser preservada e cultivada com responsabilidade.

Agora me digam aqui nos comentários: o que vocês acham disso tudo?

bjs